Registros separados de Qualidade e SSMA dificultam identificação de riscos operacionais

Registros separados podem ocultar a origem comum de não conformidades, comprometer ações corretivas e distorcer as prioridades da gestão operacional.

Uma mesma falha operacional pode comprometer a qualidade de um produto e aumentar a exposição a riscos de segurança ou ambientais. Embora os efeitos sejam registrados por áreas diferentes, a origem pode estar no mesmo processo. Sem uma análise integrada, a empresa corre o risco de tratar cada ocorrência isoladamente e manter ativa a causa que provocou os desvios.

A fragmentação das informações interfere diretamente na capacidade de identificar recorrências. Cada área acompanha seus indicadores, investiga ocorrências e define prioridades conforme seus próprios critérios. Essa separação pode produzir avaliações diferentes sobre a gravidade de uma falha e dificultar decisões que dependem da compreensão do risco operacional.

A origem do desvio deve orientar a investigação

A integração entre Qualidade e Saúde, Segurança e Meio Ambiente (SSMA) começa pela identificação dos processos responsáveis pelas ocorrências.

Considere uma falha recorrente em um procedimento operacional. A Qualidade identifica não conformidades no resultado da atividade, enquanto SSMA registra situações de exposição ao risco. As duas áreas podem desenvolver ações corretivas tecnicamente adequadas aos efeitos observados e, ainda assim, deixar de corrigir a deficiência que permanece no processo.

Relacionar os registros permite reconhecer essa conexão e direcionar a investigação à causa comum. Para isso, é necessário estabelecer critérios compartilhados de classificação, criticidade e análise de causa, preservando as particularidades técnicas de cada área.

O resultado esperado é uma avaliação consistente da ocorrência, capaz de sustentar uma decisão conjunta sobre a intervenção necessária.

Seis indicadores ajudam a revelar falhas que passam despercebidas

Uma gestão integrada pode começar com seis indicadores: desvios críticos, ações corretivas vencidas, recorrência, eficácia de inspeções e auditorias, competência e treinamento, além do desempenho de fornecedores e contratadas.

A contribuição desses indicadores depende da interpretação conjunta de seus resultados.

A recorrência, por exemplo, revela a persistência de uma deficiência operacional. Sua associação ao volume de ações vencidas ajuda a identificar situações em que medidas corretivas permanecem pendentes enquanto novas ocorrências continuam sendo registradas.

Já a eficácia das inspeções deve ser avaliada pela capacidade de identificar deficiências relevantes e verificar sua correção. Uma quantidade elevada de inspeções realizadas, isoladamente, oferece pouca informação sobre a confiabilidade dos controles.

Os indicadores de competência e desempenho de terceiros complementam essa análise ao permitir investigar se as falhas estão relacionadas à capacidade de execução ou ao controle das atividades contratadas.

Cada indicador precisa ter definição, fonte de dados, responsável e critérios de avaliação estabelecidos. Sem essa padronização, os resultados podem apresentar divergências que prejudicam sua utilização pela gestão.

A criticidade determina a prioridade da resposta

Nem todas as não conformidades exigem o mesmo tratamento. Uma ocorrência com potencial de acidente fatal, interdição ou impacto ambiental relevante precisa ser submetida a critérios de escalonamento compatíveis com sua gravidade.

A análise integrada permite considerar os efeitos da falha sobre o processo e o potencial de exposição associado, evitando que a classificação individual de cada área limite a avaliação do risco.

Essa abordagem também favorece a elaboração de um plano corretivo único para causas compartilhadas, com responsabilidades definidas e acompanhamento de sua execução.

Entretanto, o encerramento administrativo de uma ação não comprova necessariamente que o problema foi solucionado. A verificação de eficácia deve demonstrar que a intervenção reduziu ou eliminou a causa identificada e que o controle permanece funcionando.

Indicadores integrados devem orientar decisões operacionais

A centralização dos registros e a rastreabilidade das evidências permitem reconstruir o histórico das ocorrências e avaliar se as medidas adotadas produziram resultados sustentáveis.

Com informações relacionadas pela origem, Qualidade e SSMA conseguem identificar padrões que dificilmente seriam reconhecidos em análises independentes. Essa capacidade contribui para revisar controles operacionais e direcionar recursos aos problemas de maior criticidade.

A integração também se relaciona aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especialmente ao ODS 8, meta 8.8, referente à proteção dos trabalhadores, e ao ODS 12, meta 12.6, associado à adoção de práticas empresariais sustentáveis e à divulgação de informações sobre sustentabilidade.

A maturidade dessa gestão pode ser avaliada por uma questão objetiva: diante de uma falha recorrente, sua empresa consegue identificar a causa compartilhada entre Qualidade e SSMA e demonstrar que as ações anteriores foram eficazes?

A BIOTERA, por meio do GLAS, apoia empresas na integração de informações, no acompanhamento de evidências e na gestão contínua de SSMA e ESG.

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